Atividades

Caminhos do Turismo Rural na Estrada Friburgo-Teresópolis-RJ: Mapeando produtos e serviços através da Cartografia Social

A palestra a ser apresentada na SEPEX 2019 se incumbirá de elucidar o andamento e resultados já obtidos com o projeto de Extensão ""Caminhos do Turismo Rural na Estrada Friburgo-Teresópolis-RJ: Mapeando produtos e serviços através da cartografia social"". Este projeto tem por pretensão identificar as propriedades de produção agrícola familiar que, ao longo da Estrada Friburgo-Teresópolis, especificamente dentro dos limites do município de Nova Friburgo, tenham produtos ou serviços que, por sua particularidade atrelada ao universo rural, tenham potencialmente a possibilidade de serem ofertados a turistas e visitantes do segmento Turismo Rural. Ao serem devidamente identificados e caracterizados pelos proprietários de cada unidade produtiva, estes produtos e serviços serão catalogados e registrados em mapas produzidos a partir dos preceitos e técnicas da Cartografia Social, isto é, pelos próprios produtores agrícolas. O que se pretende, através da Cartografia Social, é construir uma ferramenta capaz de melhor fomentar, promover e divulgar o turismo junto às estas propriedades, pois a partir daí se poderá consolidar, de modo gradual, a oferta de um circuito de turismo rural local. Neste aspecto, a disseminação dos conhecimentos produzidos e apreendidos no curso de Tecnologia em Gestão de Turismo, será capaz de melhor qualificar os proprietários das unidades de produção familiar, a fim de que os mesmos fiquem aptos a planejar, divulgar e ofertar seus produtos e formatos de visitação, em suas respectivas unidades, a partir de uma padronização adequada e eficiente. Ao participar deste processo de ensino-aprendizado, entre aquilo que a academia tem para oferecer e o que a realidade empírica tem para mostrar, tanto o professor coordenador do projeto, como sua equipe de aluno bolsista, e eventuais alunos voluntários, estarão consolidando seu arcabouço teórico-empírico que, para além da experiência pessoal dos envolvidos, agregará novas perspectivas, olhares e percepções profissionais que poderão ser aplicadas no exercício laboral presente e futuro dos integrantes desta atividade de extensão. O referido projeto que se propõe, portanto, a realizar ações extensionistas entre os bairros de Córrego D’antas, Campo do Coelho e Conquista, no município de Nova Friburgo, se fundamentará essencialmente a partir de uma perspectiva interdisciplinar no qual o eixo do Turismo, Meio Ambiente, Economia, Marketing e Cartografia Social dialogarão com vistas a contribuir para uma percepção mais holística sobre a realidade apresentada. No atual contexto brasileiro, como em um contexto mais geral de globalização, o campo, no que tange especificamente a cultura com a lida na terra e aquilo que representa a sua riqueza e diversidade do patrimônio natural ou histórico, também figura no centro de conflitos e disputas. Estas tensões, ao fim e ao cabo, põem em risco a manutenção dos traços distintivos mais peculiares, a preservação de patrimônios, bem como a permanência, nos espaços rurais, de homens e mulheres campesinos. Sendo assim, para compreender estas particularidades inerentes ao campo brasileiro e, mais exatamente, as especificidades dos bairros rurais eleitos por esta proposta, partimos do princípio de que se faz necessário valorizar o que hoje se mantém e se produz nestas localidades de Nova Friburgo-RJ. Por esta razão, este trabalho pretende identificar e mapear os produtos, serviços e também os patrimônios existentes nestes bairros, para que os mesmos sejam incorporados a prática turística que ali se realiza. Além disso, o projeto visa à construção do conhecimento a partir das trocas e das relações sociais que ali se afloram, utilizando-se da cartografia social, para que os próprios moradores e frequentadores do bairro possam expressar suas experiências, vivências e valores na demarcação de mapas e representações, segundo suas perspectivas sobre o lugar. De modo a contextualizar teoricamente as balizas norteadoras deste projeto, é importante que não deixemos de ressaltar que, a partir dos anos de 1980, com as mudanças nos padrões de produção agrícola (GRISA; SCHNEIDER, 2015), em que se verifica a inserção de inovação e tecnologia no campo e “a emergência cada vez maior das dinâmicas geradoras de atividades rurais não-agrícolas” (GRAZIANO DA SILVA; DEL GROSSI, 2001 p. 170), é possível observar que temos um campo/rural inserido em um cenário dinâmico, de transformações constantes que coadunam múltiplas vertentes, projetos e interesses. Nas últimas décadas, a incorporação no campo de significativos avanços (via introdução de maquinários, tecnologia de ponta, uso de biotecnologia) e de atividades ligadas aos serviços/turismo, sinaliza que o rural já não é um espaço residual frente ao processo de urbanização e tampouco se faz representar unicamente pelo imaginário referente ao atraso, aos conflitos pelo acesso a terra, entre outras analogias, por vezes ou em sua maioria, depreciativas (CAMPANHOLA; GRAZIANO DA SILVA, 2000). O campo e o rural brasileiro dado às suas diferentes configurações, variáveis e formas de se manifestar, também têm sido palco, desde a década de 1980, da inserção da atividade turística em diferentes espaços (TULIK, 2003). Nestes ambientes se pode verificar a ocorrência e o movimento das práticas do chamado Turismo Rural em localidades que vão desde a serra Catarinense, como o pioneiro município de Lages, passando por municípios como Venda Nova do Imigrante, Dores do Rio Preto, ambos no estado do Espírito Santo, até Cabaceiras, na Paraíba e Gravatá em Pernambuco. A atividade turística, a partir do segmento do turismo rural, tem sido responsável não apenas pela insurgência e valorização dos hábitos, tradições e costumes do campo, como também, pelo resgate da auto-estima dos produtores de base familiar, a incorporação alternativa de renda extra e também a possibilidade de “propiciar a sustentabilidade do campo, através da fixação e manutenção das famílias no ambiente rural” (MARTINS, 2010 p.14). Tal como destaca Fancescato (2002 apud MARTINS, 2010 p. 16) “nas áreas rurais brasileiras, sobretudo nas mais fragilizadas, o turismo tem permitido que a produção realizada [...] não seja vista somente como único meio de vida. As novas atribuições e possibilidades surgem contribuindo, até mesmo, para a preservação ambiental e cultural, para a produção de alimentos diferenciados e, principalmente, para a valorização do agricultor e seu trabalho”. Em termos de produtividade, é sabido que a agricultura familiar corresponde por 70% daquilo que efetivamente chega à mesa dos brasileiros, no entanto, os enfrentamentos que precisam ser travados para a manutenção desta modalidade produtiva, por vezes, “condena” o produtor familiar, especialmente os de pequena escala, a viver em condições mínimas ou precárias de subsistência (BRASIL, 2017). De acordo com o Censo Agropecuário, realizado no ano de 2017, “a agricultura familiar é à base da economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. Além disso, é responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa do país e por mais de 70% dos brasileiros ocupados no campo” (BRASIL, 2018). Apesar disto, o real valor do produtor familiar não é percebido, tal como merecia, pelo Estado que, na prática, deveria ser o principal agente fomentador de políticas públicas para subsidiar e fortalecer a agricultura familiar e, tampouco, pelo público-consumidor. Este mesmo consumidor tende, por vezes, a associar o grande agronegócio, dada a sua magnitude produtiva, como o responsável por aquilo que se compra nos mercados, feiras, hostifrutis e afins. Por esta razão que se pode reforçar a importância do Turismo enquanto uma ferramenta capaz de propiciar à complementação de renda, o enaltecimento do estilo de vida do campo, a valorização do patrimônio natural e histórico, bem como as representações culturais existentes nos espaços rurais (MARTINS, 2010). Inclusive, como um questionamento relevante pertencente a este contexto, nos incumbe indagar sobre quais são as manifestações culturais, tradicionais históricas que, presentes nos bairros Campo do Coelho, Córrego D’antas e Conquista, mantém a “tradição local” permeada pelo “depósito da criatividade camponesa” ali existente (CATENACCI, 2001 p.31)? Em linhas finais, se destaca ainda que, através desta proposta extensionista, pretendemos, com regularidade, fazer visitas às localidades aqui eleitas. Preliminarmente, analisaremos as práticas agrícolas locais, objetivando perceber as particularidades das principais relações advindas dos processos produtivos operados ali. A partir disto, conseguiremos identificar e nos aproximar dos atores que são alvo desta proposta, leia-se os produtores familiares instalados nas proximidades da Estrada Friburgo-Teresópolis, especificamente nos bairros supracitados. A partir dos primeiros contatos, nos apresentaremos e elucidaremos os objetivos de nossa proposta, definindo os melhores momentos para podermos nos encontrar com aqueles produtores interessados em participar de nossas atividades. Em seguida, iniciaremos os primeiros trabalhos relacionados à produção de mapas que se fundamentarão a partir dos preceitos e técnicas da Cartografia Social. Feito este primeiro contato, identificação e mapeamento, se buscará qualificar os produtores, a fim de que os mesmos sejam capacitados para aprimorar seus produtos em termos técnicos e adequar, a partir dos preceitos da hospitalidade e do bem-receber, os serviços que, por ventura, sejam prestados em suas propriedades. A intenção ai é que os produtores sejam inseridos na atividade turística, ou na prática de excursionismo, que já ocorre por diferentes bairros que estão situados na Estrada Friburgo-Teresópolis-RJ. Neste sentido, a preparação destes sujeitos para sua subseqüente incorporação ao Turismo local, necessariamente agregará a possibilidade de geração de renda alternativa às suas unidades de produção familiar. Portanto, somado ao objetivo basilar desta proposta, se tem por intenção ainda: 1) Proporcionar o encontro dos produtores com os hábitos e costumes que os conectam com os saberes sobre a terra; 2) Resgatar, através de oficinas sobre memória social, as histórias e as tradições locais; 3) Fortalecer o sentido de pertencimento relacionado ao espaço de vivência, a identidade regional e as relações que ali são estabelecidas; 4) Promover a cultura do campo e os patrimônios locais existentes; 5) Ofertar oficinas de planejamento de projetos, de Formação de Preços, Marketing e empreendedorismo; 6) Fomentar a Elaboração de Roteiros rurais personalizados. Acreditamos que, independente dos elementos constitutivos do rural brasileiro, em termos históricos e atuais, o que se mostra evidente, ao longo de diversos processos decorridos neste meio, se relaciona com a necessidade de analisar o campo a partir das constantes “atualizações” às quais estes espaços estão submetidos e através também das recorrentes respostas que “nascem” e “se criam” aí (MARTINS, 2015). A proposta que apresentamos aqui percebe o turismo, e demais eixos interdisciplinares, como um dos caminhos pelos quais o rural pode se renovar e ser valorizado. No entanto, para que este mecanismo se converta como parte das respostas a serem dadas aos problemas existentes neste espaço, se faz necessária a apresentação profunda, holística e estruturada daquilo que efetivamente o turismo pode proporcionar de positivo ao meio rural. Logo, a realização deste projeto, a partir da execução dos objetivos traçados, se converte na oportunidade de aproximar nossa instituição, e os frutos de sua produção de conhecimento e pesquisa, à comunidade.

Colaboradores

Gabriele Cardoso Martins, Nathalia Nogueira, Mariana dos Santos Coelho e Nathan de Paula dos Santos

Tipo de atividade

Palestra

Local

Auditório

Data e hora

24 de Outubro de 2019
15:00 às 16:00

Capacidade

11

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Capacidade de inscritos esgotada.